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Eu, esquerdinha caviar

5 de outubro de 2014  por Natasha Siviero  , , , ,   3 comentários


Tenho um tio que eu adorava. Mal o conhecia, que morava longe, e quando vinha, não nos enchia de coisa, não dava bombom, não brincava com a gente, mas tinha um sorriso bonito e grande. Dos mais bonitos e grandes.

Muitos anos depois nos esbarramos no facebook. Ou o deleto ou paro de gostar dele.

Já parei, na verdade, estou a beira de detestá-lo. Descobri que ele é essa espécie de gente que usa o termo “ptralha” – pausa para a preguiça. Que a acha que não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar, que o Brasil não é Cuba, que compartilha texto de Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, que pensa que o verdadeiro mal não é a desigualdade, mas dependência. E tem um adesivo “fora Dilma e leve o PT junto com você.”

Tenho por aqui, no facebook, uma amiga querida que se formou médica. Que acha que as meninas que engravidam na adolescência merecem levar uma surra. Que acha que pobres e ricos tem chances iguais de fazer medicina. Que acredita na meritocracia. Que nunca foi lá muito inteligente, que eu possa me lembrar, mas dedicou-se 3 anos exclusivamente a estudar, na melhor escola do pedaço, para passar no vestibular de uma faculdade particular em outra cidade.

Direi que tenho ainda uma vizinha, dessas que fiz no parquinho. Afeiçoamos- nos, temos rotinas parecidas, filhos da mesma idade. Ela reclama que é difícil encontrar uma babá. E é: é muito difícil encontrar uma babá hoje em dia. Culpa dos ptralha.

As negras e as mulheres da roça só querem ficar em casa na vida mansa. Não querem pegar 4 horas de ônibus, vir cuidar dos nossos filhos, lavar, passar e cozinhar. Não querem deixar os filhos delas sozinhos. Não querem trabalhar por um salário mínimo. As filhas das babás agora tão nessa de estudar, não seguem carreira de doméstica -coisa que é certa, desde que o mundo é mundo.

Minha amiga falava de Cuba no facebook. Falava da Europa. Queria ver ela ter uma babá na Europa, eu pensei. Não é, Natasha? Ela interrompeu meu pensamento. É não, eu diria. Quanto mais difícil achar babá, mais fé eu tenho no Brasil. Mas não falei, fiquei com preguiça.

Cadê paciência para conversar? Sem paciência, vou à urna quietinha. Partiu votar porque vai ter babá na faculdade sim. Se reclamar, vai ter na faculdade de medicina. Vlws Flws!

 

enviado do meu iphone

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Hoje eu só quero arroz e feijão
Eu fecho com o Maguary de Caju!

Natasha é tão natasha que só ela é desse jeito. Podia ter um verbo natashar que seria meio teimosia, meio maluquice, meio explosão e uma quantidade maluca de ideia. Uma por semana, depois uma por dia, depois outra. Na sequência são junções da anterior com a próxima e um tiquinho assim de sanfona. Natasha abre e fecha feito sanfona e faz um som bonito.

3 Comentários

  1. Tasso disse:

    Minha mais que estimada Natasha,

    Eu, com essa mania de passado, vim aqui revisitar pensamentos bons que sempre tive nessa canto aqui das letras.
    E, nao por obra do acaso, me deparei com esse texto.
    Como sorte e coisa que nao bate a porta duas vezes, te proponho uma conversa ideologica – so para dar assim nomemclatura.
    Te proponho, mesmo sem paciencia, que as vezes me carece tambem mas eh mister sofrer, uma serie de cartas ideologicas de oposicao.
    Lhe escreverei ao meu ver e me responde, se lhe for assim suposto.

    Lhe envio a primeira em breve
    Um cheiro e um axe
    Tasso.

  2. Tasso, não sei se acredito em acaso. Li e reli a data do seu comentário sem acreditar que era de ontem (é de ontem mesmo?). O fato é que nunca teria visto o seu comentário, mas entrei nesse texto para indicar a Giovanna (nova integrante do samba) um momento do Samba. Dizia a ela – pois te juro – que esse momento nos trouxe muitos leitores, mas também nos custou você. Depois disso paramos o samba, e depois voltamos, e agora pensava em parar de novo…Tenho disposição para conversa ideológica, desde que você volte e me veja os textos de cicatriz. Me sofro também para você, na sua frente, e você já não está aqui. Quero ter essa conversa e outras mil. Digas o que quiseres.

    PS: olha o que acontece hoje no país. Mais uma do acaso?

    amor, Natasha

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