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Notícia da semana: casal faz sexo

21 de outubro de 2014  por Marcela Rangel  , , , , , , , , , , ,   3 comentários


Chocados, meus amigos vieram me mostrar um tal vídeo de um casal transando no meio da uma rua do Centro de Vitória no último domingo, dia lindo de samba do Regional da Nair. Todo mundo apavorado, todo mundo comentando, todo mundo compartilhando e especulando quem haveria de ser aquelas duas pessoas insanas, sem nenhuma moral e bom senso.

Pouca coisa tem me surpreendido por esses dias, apesar de muitos temas terem conseguido me mover, me intrigar e me inflamar nos últimos tempos. Mas muito me espantou a história desse tal vídeo, quase nada pela cena e muito mais pela reação das pessoas.

Quem é esse casal que foi tomado por uma vontade súbita de trepar eu não quero saber, mas o que eu realmente me pergunto é quem é a pessoa que filmou. Será que algum dia da vida ela já fez sexo? Será que ela é triste? Será que é ao contrário? E o mais importante: estava ela sambando quando o Regional tocou “É hoje o dia da alegria e a tristeza nem pode pensar em chegar”? Acho difícil.

Cidadão que samba, que ama, que se ama, que transa, que é feliz, não precisa desse pequeno prazer voyer sádico, desse gozo dispor da imagem do outro, dessa aceleração em compartilhar a “vergonha” do outro.

Além do mais fazer sexo não é crime. Concordo que não há necessidade de se deitar no meio da rua e ser feliz ali mesmo. No governo Dilma o motel se popularizou, minha gente (haha, Chupa, Dado). Mas quase nunca vejo tamanho espanto quando as pessoas se deparam com cenas de machismo, cenas de violência (chupa, Dado 2), cenas de pobreza.

Semana passada o mesmo julgamento, só que com uma adolescente que  saiu correndo pelada pela rua de uma boate de Guarapari . Também não acho que precisamos sair pelados pela rua (às vezes deveríamos!). Mas, sério, meu povo, o que é a nudez senão a naturalização da vida?

Entendo muito bem que vivemos em uma sociedade cheia de regras para o bem do convívio humano, mas, quando as normas transgredidas são simplesmente tristes fatos de descuido da sociedade com um dos seus, aceitamos como curso habitual da vida. No entanto, quando essas normas ficam no campo da libido, do tesão, do amor, do furor não conseguimos lidar.

Aí é um monte de gente que nunca namorou no mar, que nunca transou no carro, que nunca traiu um parceiro. É o moralismo na sua mais perfeita forma. Em nome da família, que pra criar, meu camarada, provavelmente você fez sexo. Sexo ainda é tabu. Nudez ainda é tabu. As pessoas gostarem naturalmente de sexo e nudez ainda é tabu. Só que o olhar de sofrimento do outro não é.

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Advogada e Dj
Me deixa comer o pudim!

Samba às quintas. Aquariana, de grandes paixões, pequenos romances, rompantes médios, gigantescas liberdades, imensuráveis controvérsias, avessa às convenções, inconstante. Também sabe ser fria, calma, regrada, aliada a convenções, mas quando assim não samba, não sai poesia. Menina sem infância, mulher que não se sabe, mas tenta, filha única, de muitos amigos. Carrega em si o drama do teatro, a atuação dos livros e filmes. Jornalista das palavras de jornal, que ama a TV e o rádio e quer andar pelo mundo. A música é tão importante quanto a poesia e as linguagens todas. Mais Chico, Sampaio e fé nessa vida.

3 Comentários

  1. Pedro Nunes disse:

    Parabens, marcela. Em meio a tanto noralisno, a um mar de sujeira, esse post foi uma ilha de esperança para a humanidade. E aos imundos que gozam do sofrimento alheio, desejo que possam rever o seu mundinho fechado.

  2. Fabricio disse:

    Até o “trair o parceiro” eu estava gostando. Vale lembrar que o texto tem a ver com liberdade e essa aí merece mais atenção. Parabéns pela coragem e pela escrita fluida.

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