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Meu filho Miguel

13 de maio de 2015  por Natasha Siviero  , , , , ,   3 comentários


Mãe, quem vai ser minha mãe quando eu crescer?

Eu, meu filho.  Eu sempre vou ser sua mamãe.

E se, quando eu for grande, eu escolher a minha avó?

 

Silêncio. Precisei de uns segundos, paralisei-me, em câimbras, todo o corpo. Quis abraçá-lo com toda força que sei que posso, com todo o braço que tenho lhe faltado. Quis dizer a ele com cada palavra: meu filho, Miguel, ainda que eu tenha mil filhos, eu nunca abrirei mão de ser a sua mãe. Quis dizer que tivemos um bebê, é verdade, mas pelo amor que nos transborda em mim e no seu pai. Nunca nada nos faltou, e você sempre foi tudo e completo e mais na nossa relação profunda e infinita de amor.

Quando o neném nasceu, Miguel ficou dez dias na casa da avó. Foi o maior tempo que ficamos longe nesses quase cinco anos. Era carnaval, ele viajou, se divertiu, foi em bailinhos. Quando voltou, tentava entender a nova – e completamente diferente – dinâmica da casa. Quando foi dormir, eu amamentava o neném na sala, o pequeno com a mão no meu peito, eu com os olhos cheios de ternura. Quando acordou, de manhã, eu amamentava o neném na sala, como se passara a noite inteira ali.

Mamãe, quando meu irmãozinho vai parar de mamar?

Eu não sei, meu filho, quando ele ficar maiorzinho.

Eu já sei! Quando a gente não quiser ele mais.

Silêncio.

No final de semana, quando fui buscá-lo depois de passar a tarde na casa da avó, ele disse que queria ficar para dormir. Eu deixaria, de novo, em casa às vezes é difícil, mas ele não queria que eu deixasse. Ele desesperadamente não queria. “Deixa, mamãe, você fica com meu irmão”. E fez birra, fez pirraça, agarrou-se nos móveis.  Até que ficamos só nós dois. Ele me abraçou esfregando a cabeça na minha barriga. Finalmente (em quanto tempo?),  eu brigava por ele.

 Mãe, por que meu irmãozinho consegue respirar por enquanto bebe leite, e eu não?

Fiquei surpresa, orgulhosa, encantada que ele tivesse feito essa observação.  Tentei explicar sem falar em traqueia e epiglote. Ele continuou:

E eu, mãe, por que não consigo?

Você também era assim quando neném. Agora não precisa mais porque você já pode comer todas as coisas gostosas.

Se eu parar de comer tudo e beber só leite, eu vou conseguir?

Depois ele saiu, brincou, voltou. Disse que estômago estava roncando, queria leite. Peguei um copo, que ele tomou do meu lado, abraçado comigo, enterrando a cabeça na minha cintura. Bebia de vagar, sem nunca tirar a boca do copo. Como se me mostrasse que, quem sabe, ainda pode beber leite ao mesmo tempo em que respira. E que, podendo, talvez seja de novo digno, do meu colo, do meu tempo, do meu afeto.

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O meu lugar
Ser de chão

Natasha é tão natasha que só ela é desse jeito. Podia ter um verbo natashar que seria meio teimosia, meio maluquice, meio explosão e uma quantidade maluca de ideia. Uma por semana, depois uma por dia, depois outra. Na sequência são junções da anterior com a próxima e um tiquinho assim de sanfona. Natasha abre e fecha feito sanfona e faz um som bonito.

3 Comentários

  1. paula farias disse:

    Eu tenho 3 filhos e todos o amor e o mesmo o do meio ficoh muito mais inciumado pq ele so tinha 3 anos quando Luna naaceu mas eu peocuro sempre dar o meo maior tempo a ele pq ele era o xdozinho da familia e minha mais velha e toda independente nem ligou nem p Lucas e muito menos p Luna ela ja tem 15 anos e gracas a Deus eu ro conseguindo consiliar filhos marido casa e passeios pq tenho 32 anos e nao posso deixa o tempo pssar,

  2. Oi Natasha, tudo jóia?

    Recebi hoje esse link por e-mail da Minha esposa. Você conseguiu emociona-la! Belo texto :) Dentre tantos textos na internet achei uma grande coincidencia ela te mandar um texto seu, e também pelo fato do nosso bebê (5 meses) também se chamar Miguel.

    Não sabia que você foi mamãe denovo. Parabéns!

  3. Que legal, Lucas. Fico feliz que ela tenha gostado e parabéns pelo Miguel. Pois é, estamos no nosso segundinho. Chama-se Santiago. Tô aqui blogando e dando mamá. =)

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