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9 de janeiro de 2014  por Marcela Rangel  , , , , , ,   nenhum comentário


Ela resolveu dar. Não que houvesse motivo específico ou fosse “hora certa”, como costumam dizer os mais pragmáticos, embora sua buceta pulsando fosse um bom indicativo.

Mas não foi para homem algum, ainda que na sua frente estivessem em suas glórias um pau bonito, dois olhos fortes, um par de mãos talentosas e duas bandas de uma bunda dura e perfeitamente simétrica, sem tirar nem por, daquelas que só um homem muito bem agraciado pode ter.

Aqui devo fazer um adendo. Perdoem-me as mulheres que carregam formas avantajadas e ditas gostosas em seu derrière, mas é que bunda de mulher, pra ser considerada digna do nome, tem que ter algum defeito, uma celulite ali, uma estria aqui. Ao passo que a do homem pode ser perfeita e mesmo assim linda, como a que estava na sua frente.

O caso era simples de entender. Agora ela pertencia a si mesma e mulher que a si pertence dá para homem nenhum. Ela se dá para si e goza para si mesma e com o outro.

A mulher que alcança esse auto pertencimento faz sexo com amor, mas também trepa e fode sem medo, adorando tanto o que entrega que dá feliz, de bom grado.

Ela sentia prazer em cada lacuna. Essa mulher gosta dos buracos, dos hiatos. Pois como são sensuais os encaixes! Ela enchia e esvaziava com o corpo do outro e depois com o seu, que agora era muito para ela.

Esse corpo que ela ama e não tem vergonha de mostrar. Essa cara de quem tá gozando e diz. Essas pernas que ela abre simplesmente porque quer e pode e é bom.

E a culpa, você deve estar pensando se mulher for, como é próprio de todas nós. A culpa de dar o que é seu? Pois respondo que essa mulher é fiel a si mesma e quando se respeita, seja fazendo o que for, não existe culpa católica ou machista apostólica romana que impere.  Para ela não. O céu especificamente daquela vez. E por vezes esse limbo que ora é céu ora é inferno existencial.

Quando terminou dormiu de conchinha, pois aconchego não dispensava, e olhou para o outro com carinho. Nessa hora o olhar ficou mais apertado. Momento de uma pequena entrega. Dormir com alguém pode ser mais íntimo do que dar, ela pensou. Dormir junto é ato de confiança, atestou.

Na hora de levantar sentiu vazio. Vazio é bom, constatou. “Sou eu muitas vezes.”

E, depois, quando ele –que ainda não havia entrado na história embora ainda no começo já tivesse entrado tanto nela –elogiou ela agradeceu com um sorrisinho maroto como quem já sabia.

Ela estava segura de si. Sabia que tinha sido bom. Ela acabara de dar para si mesma.

E, ao final, toda gozada de sua atitude, ela percebeu que havia feito sexo quase como quem come simplesmente porque sente fome e tem como consequência a divina saciedade.

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Fui ao salão

Samba às quintas. Aquariana, de grandes paixões, pequenos romances, rompantes médios, gigantescas liberdades, imensuráveis controvérsias, avessa às convenções, inconstante. Também sabe ser fria, calma, regrada, aliada a convenções, mas quando assim não samba, não sai poesia. Menina sem infância, mulher que não se sabe, mas tenta, filha única, de muitos amigos. Carrega em si o drama do teatro, a atuação dos livros e filmes. Jornalista das palavras de jornal, que ama a TV e o rádio e quer andar pelo mundo. A música é tão importante quanto a poesia e as linguagens todas. Mais Chico, Sampaio e fé nessa vida.

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